Este texto nasceu de uma descoberta inesperada: ao procurar meu nome no Google, encontrei um decreto legislativo de 1986 da Câmara Municipal de Araraquara que reconhecia estudantes premiados em uma olimpíada de matemática. Entre os nomes, estava o meu.
O decreto me levou de volta à escola pública dos anos 80, aos professores que marcaram minha formação e a uma pergunta que continua atual: como inspiramos os jovens de hoje?
Naquela época, eu era aluno da escola pública em Araraquara. Havia limitações, como sempre houve, mas também encontrei professores incríveis, experiências marcantes e pessoas que faziam muito com os recursos disponíveis.
Encontrar meu nome naquele documento tantos anos depois foi uma surpresa e também uma pequena viagem no tempo. A olimpíada de matemática aparece como um registro oficial, mas o que voltou à memória foi algo maior: o entusiasmo de aprender, a satisfação de ser reconhecido e a importância de alguém perceber o potencial de uma criança.
O reconhecimento pode durar alguns minutos. A lembrança de ter sido visto e incentivado pode acompanhar uma pessoa por toda a vida.
O que mudou e o que ainda precisamos perguntar
A descoberta também trouxe uma inquietação. A escola pública de hoje é melhor, pior ou simplesmente diferente daquela que vivemos nos anos 80? A resposta certamente não cabe em uma comparação simples. Mudaram a sociedade, a tecnologia, o acesso à informação, os desafios das famílias e as expectativas colocadas sobre professores e estudantes.
Talvez a pergunta mais importante não seja se devemos reproduzir a escola daquele período. Talvez seja entender se continuamos criando oportunidades para que crianças e jovens descubram suas capacidades, sejam desafiados e encontrem adultos dispostos a acreditar neles.
Uma história que também pode ser de outras pessoas
O decreto reúne outros estudantes e outras histórias. Se você estudou em Araraquara, participou daquela olimpíada ou conhece alguém que aparece no documento, talvez também encontre aqui uma lembrança que mereça ser recuperada.
Relembrar o que vivemos pode ajudar a reconhecer o que vale a pena preservar e a pensar, com mais cuidado, no que ainda precisamos transformar na educação pública brasileira.
O documento que reencontrei
O Decreto Legislativo nº 235, de 1986, registra a homenagem aos estudantes premiados. Mantenho o documento aqui porque ele não é apenas uma evidência histórica. É parte desta memória.